segunda-feira, 30 de agosto de 2010

sexta-feira, 23 de julho de 2010

20 de Julho Dia internacional do amigo...

Conforme se é sabido, no dia 20 de julho celebrou-se, de forma internacional, o Dia do Amigo.

Neste ínterim, tive por bem postar, ainda que de forma tardia, os escritos de Oscar Wilde, escritor Irlandês, a fim de homenagear os meus amigos, eis que imprescindíveis para a manutenção diária de minha existência.

Loucos e Santos (Oscar Wilde)

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.

Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.

Quero os santos,
para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.

Meus amigos são todos assim:
metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.

Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de
Aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.

Não quero amigos adultos nem chatos
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.

Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.



Aproveitem seus amigos.

Guilherme de M. Trindade

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Comercial de farinha...memorável...

Aproveitem a criatividade

Guilherme de M. Trindade

terça-feira, 11 de maio de 2010

Decisão em prol do próximo....


O Município de São Leopoldo/RS obteve, nos autos do Processo de nº 033/1.05.0092410-7 uma vitória memorável.

Diz-se o exposto, não apenas pelo mérito da questão, mas pelo teor da decisão proferida pelo julgador José Antônio Prates Piccoli, que soube elevar a questão para além daquilo que impresso está nas leis e livros, alcançando sublimemente a função social do direito.

Para melhor visualização, trata a demanda de Ação Civil Pública intentada pelo Ministério Público em face do Município de São Leopoldo/RS objetivando a desocupação de uma pedreira, donde aproximadamente 3,000 pessoas dela se valem para subsistirem.

Reitera-se a importância da decisão - mesmo que venha a ser reformada posteriormente pelos Tribunais Superiores, e, por questões meramente políticas - à margem que demonstra a importância e a necessidade da experiência de vida para o exercício do julgar.

“Vistos.

Trata-se de apreciar pedido urgente formulado pelo Município de São Leopoldo, em sede de execução em ação civil pública, onde postula o ente público a suspensão temporária do comando judicial.

Manifesta-se o Ministério Público de forma contrária a pretensão.

Adoto também como relatório o longo e fundamentado despacho de fls. 566/567, acrescentando que trata-se de ação que visa a interdição de pedreiras que labutam no Morro do Paula.

Evidente que a medida tomada pelo Judiciário é a mais correta do ponto de vista legal e ambiental considerando os evidentes prejuízos visíveis no levantamento fotográfico por último acostado.

Há que se ponderar todavia outros valores. Tive uma longa e extenuante reunião na terça-feira, 04 de maio, com representantes da comunidade atingida pela medida.

Notou-se o envolvimento de mais de 3.000 pessoas na região, a depender do ganho diário. Em síntese, trabalham de dia para comer a noite.

Estou convencido, por exemplo, que o Direito foi feito para o homem, e não o contrário; que o verdadeiro Direito está na vida, no cotidiano, nas relações humanas e sociais, e não em textos escritos. Por conta disso, costumo dar mais valor à minha experiência direta - o que eu penso e sinto - em relação ao caso concreto do que à jurisprudência, à lei e à opinião de especialistas. Enfim, em termos de aplicação e interpretação da lei, depois de anos de labuta, acabei descobrindo uma coisa básica: uma coisa é a teoria, o elegante e politicamente correto como devia ser; outra coisa, bem diversa, é o marginal, inconveniente e, em geral, maltrapilho como é.

Exatamente assim acontece no vertente feito. De um lado temos o Direito, decisões trânsitas em julgado há longo tempo. De outro lado penso, é justo de uma hora para outra, repentinamente jogar-se ao desemprego centenas de pessoas por amor a uma decisão.

A reunião demonstrou a preocupação da comunidade em fazer cessar o uso das pedreiras. Não postula a comunidade o descumprimento da decisão judicial, mas apenas um prazo para o cumprimento da mesma.

Considerando então a situação concreta apresentada ao Judiciário é que defiro os itens a, b e c de fls. 644, 645.

Diligências para o atendimento das medidas postuladas e ciência às partes.”


Aproveitem as decisões.

Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 5 de maio de 2010

O divagar de quem sabe...

Noites (Eduardo Galeano)

A Noite 1

Não consigo dormir. Tenho uma mulher atravessada entre minhas pálpebras. Se pudesse, diria a ela que fosse embora, mas tenho uma mulher atravessada em minha garganta.

A Noite 2

Eu adormeço às margens de uma mulher: eu adormeço às margens de um abismo.

A Noite 3

Eles são dois por engano. A noite corrige.

A Noite 4

Solto-me do abraço, saio às ruas.
No céu, já clareando, desenha-se, finita, a lua.
A lua tem duas noites de idade.
Eu, uma

(In Mulheres, 1997)

Aproveitem o Galeano

Guilherme de M. Trindade

quinta-feira, 8 de abril de 2010

"Ladainha para o Zé"


Como de costume, há 39 semanas santas, homens de todo o sul, e, porque não dizer, de todo o Brasil, reúnem-se às margens do Rio Uruguai para celebrar a música, a natureza, e, acima de tudo a amizade.

Fundador do Festival da Barranca, Zé Bicca, ou, o Tio Zé, que por capricho da sina ausentou-se, ao menos carnalmente, pela primeira vez não pode escusar-se das homenagens.

Assim, posto hoje um poema de Tadeu Martins, declamado no 39º Festival da Barranca, e que ilustra bem a figura deste “homem-Bicca”, ao qual este blog não se cansa de reverenciar.

“Ladainha para o Zé” (Tadeu Martins)

Veja bem, Pai-Véio
Quem chega de volta a teu convívio.
Sim, aquele que carrega um rio no olho
A terra no sangue
Uma crônica no causo
E o coração balançado de amigos
Sim, aquele mesmo
Que tinha nos fundos de casa
Uma fábrica de bondade
Um engenho mecânico
De fazer motores e geringonças.
Um doutor psicólogo
De fazer salvamentos
E um criador musical...
Quando pegava uma música
Soltava pássaros.
Um pai-espelho
Um marido-par.
Aquele
Que fabricou um lobisomem
Para ser o seu andante.
Aquele
Que fazia um beijo
Para cada rosto dos homens.
Depois recolhia abraços
Como quem guarda uma safra
Onde o cheiro da esperança fica nas mãos.
Aquele homem-anjo
Que visitava os mortos a serviço da vida.
E que nos visitará com a mensagem:
- Se apresente para a palavra amor.
- O homem para ser sábio
De vez em quando
Deve dar um corridão no corpo
Aí, a alma nesse momento
Aproveitará para mostrar a essência das coisas
Aquele mesmo, Pai-Véio
Que esperou a morte
Como quem espera um poema
Para ir-se encarregado de plantar um rancho
Num rincão invisível
E pendurar na porteira:
É o amor que dá paz aos homens,
A calma ao mar,
O silêncio aos ventos
E o descanso a dor”
Aquele mesmo, Pai-Véio
Homem livre e de bons costumes
Que carregava a caridade nos pulsos
Aquele da São Borja cor de terra
Que tem um rio profeta
E um céu bem grande
Aquele que tem o prazer
Do seu nosso mate
Do seu nosso vinho
E do seu nosso comício
Aquele homem-bica
Que matava nossa sede de respostas
Mas cuidado, Pai-Véio
Que agora ele para tudo para ser discreto
Dizendo por aí
Apenas sou o Zé.

Aproveitem a poesia.

Guilherme de M. Trindade

sexta-feira, 26 de março de 2010

Para minha vó Ieda...


Para falar de minha "Vó" Ieda, preciso desvencilhar-me da imagem daquelas senhoras frágeis e de cabelos brancos ao qual nos remete a palavra avó.

Inquebrável como o aço, afável como a brisa dos verões no Laranjal, jamais esmoreceu ante as dificuldades de ser mãe por seis vezes e avó por vinte.

Professora da língua portuguesa, domina o vernáculo com perfeição que invejaria até os criadores do mesmo.

Exímia pintora, musicista, faz do dom de ensinar sua arte.

Hoje, completa 81 anos de idade, e a ela dedico este post .

“Vó”

Não é mãe emprestada, é mãe na pura essência.
Criou a engenheira, logo, é arquiteta de minha existência
As marcas dos anos são ínfimas ante a candura do olhar
E a grandeza do coração não cabe numa vida só.
Seria possível, um rio, ter por sina ser maior que o mar?

O tempo, por travesso, não prejudicou a visão,
A bondade, por ser mãe, lhe pôs os olhos no coração
Que puro, transborda as lágrimas contidas
E assim se fazem grandes até as formigas
E emocionantes as chegadas e partidas

Português, matemática e história,
Intermináveis temas da escola
Amor, retidão, respeito e afeto
Ensinamentos perpetuados na memória
Se o laço traçado se fez correto,
A vida nos preservará avó e neto.


(Pra minha “Vó” Ieda, que sabe fazer da vida uma dança de New York, New York...)

Aproveitem suas Avós.

Guilherme de Magalhães Trindade