quarta-feira, 4 de maio de 2011

Colecionador de Pedras

Buenas queridos seguidores!

Há tempos não utilizo de nosso blog para exprexar-me...pra bem da verdade, não havia encontrado nada mais belo para dizer do que as poesias, letras, vídeos e textos ultimamente postados.

Ocorre, que felizmente, em minhas andanças virtuais, deparei-me com o blog "Colecionador de Pedras", magistralmente administrado pelo poeta Sérgio Vaz.

Aos curiosos, informo que o link do blog encontra-se elencado no rol dos "Blogs Parceiros" a partir de hoje. Acessem!!!

Outrossim, para degustação, trago o poema de Sérgio Vaz denominado "Paz"...simplesmente genial!


"PAZ "

ETA mundo estranho

tanta IRA, tanto ódio

quando o que a MOSSAD

mesmo quer é

HEZBOLLAH.


Cd, OLP,

deixe a música tocar.

Neste ONU,

vamos celebrar a vida

pois temos a FARC e o queijo

na mão, basta acreditar.


Não importa o LADEN

que você está.

AL-QAEDA da tarde vamos nos

abraçar.

Solidão aos belicosos!

Quem USA e abusa

não merece CIA.

Vamos vigiar a paz

noite e dia,

para que não haja mais a guerra,

HAMAS!

(Sergio Vaz)

Aproveitem a poesia
Guilherme de M. Trindade

terça-feira, 19 de abril de 2011

A CRUZ DE CEDRO (Rodrigo Bauer)

Talvez tenha sido morto na guerra do Paraguai...
Ninguém o sabe por certo, que o tempo longe se vai
Num cemitério de campo plantou-se mais um cristão
E a Cruz de cedro, ainda verde, ficou cravada no chão.

No seu enterro pacato, poucos amigo, parentes...
É neles que permanece, pra sempre, um pouco da gente!
Depois, na noite com chuva, o campo inteiro sentiu
Mais uma ausência habitando o cemitério vazio!

O sol acendeu os dias e a vida então continuou
E a Cruz de cedro, ainda verde, vencendo a morte brotou...
Quando se deram por conta, de verde estava vestida
Uma ironia campeira marcando a morte com vida!

Em seu retorno pra terra, nunca talvez lhe ocorresse
Que emprestaria as entranhas para que a Cruz não morresse!
Ou sua alma guerreira, por ter a fibra imortal,
Ganhou a Cruz de madeira, se erguendo na vertical?

O tempo cruzou com tropas, carretas e temporais
E a Cruz abriu mais os braços pra receber os cardeais
Enraizou suas lendas e hoje, copando mistérios
Sombreia além dos antigos limites do cemitério!

Seu nome, a poeira da história, por certo já sepultou,
Mas sua Cruz é tão viva que, sem cuidado, brotou!
Descansa um homem sem nome dentro da cova sem luz..
Vencido pelo passado, velado por sua Cruz.

Aproveitem a poesia.
Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Penúltima China (Antônio Augusto Fagundes)

Tua penúltima china
vai ser uma bruxa feia
cheia de ciúme de ti.
Ela se chama Velhice.
De tudo o que já disse
sobre a sua casmurrice
há mais pra dizer aqui.

Ela virá de mansinho
a te encontrar no caminho
- tu quase não vai notar:
primeiro, um cabelo branco
(“Não é nada, esse eu arranco...”
tu vais dizer quase a rir)
Porém depois, sem sentir,
outro, mais outro, outro mais
- todo o cabelo! E jamais
tu vais tapear ao tingir.

Ou então, num desvario
vai te arrancar fio por fio
até pelar a cabeça,
para que ninguém se esqueça
do triste casco vazio.

E a china ali, ao teu lado,
com o manso passo grudado
no teu passo, a prosseguir:
vai pegar na tua cara
(que as mulheres adoravam!)
e riscar mapas profundos
-sulcos, vales, rios e mundos
pés-de-galinha nos olhos
sob os óculos de grau,
esmagando em gesto mau
estranhos, murchos refolhos
ao redor de tua boca,
como uma criança louca
que rabisca em desatino.

E a china, sem muito tino
vai trocar teus poucos dentes
por outros, mais reluzentes,
completos! De dentadura...
Vai te mudar a figura
pergaminhando o pescoço,
fazendo um velho no moço
que tu foste alguma vez.
Sempre assim, a dois por três,
vai dobrar teu espinhaço,
te deixar com os pés de arrasto,
sem pena do tempo gasto
pelos caminhos da vida.

Que china mais atrevida!

Vai te deixar barrigudo,
ruim – ruim de tudo!
Vai trocar tua bombacha,
tua guaiaca, tua faixa,
por um pijama de lista.
Depois, a fingida artista
rouba as tuas alpargatas
e as tuas botas gaúchas
para te calçar bambuchas
nas pobres, cansadas patas!...

E adeus, canha do bom tempo!
De cigarro? Nem te falo...
Não mais pular a cavalo
nem aguentar uma briga.
Agora é dor-de-barriga,
pressão alta, desconforto...
Ou é míope, ou vesgo, ou torto,
não come churrasco gordo
nem chega perto do sal.
La putcha, que no final,
o homem, velho animal,
é o mesmo que um burro morto.

Mas o que dói, nessa china,
nesse maldito cambicho,
é o seu estranho capricho
de te roubar a tesão.
Na hora da precisão
- com muito ciúme da outra –
te retira a velha potra
para te deixar na mão...

Diacho de china ciumenta,
essa que chamam Velhice!
Eu não sei quem foi que disse
que ela vence porque é forte.
No fundo, não que me importe,
mas posso te assegurar:
ela só vai te largar
pra última china - a Morte.

Aproveitem a poesia.
Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ensaio sobre a pena e o medo


Pergunta: Como não sentir medo se temos pena?

Resposta: Tratam-se de sentimentos diversos que juntos se promovem.

Exemplos: Medo de que conosco se suceda o motivo da pena alheia, ou o inverso: sentir pena do medo alheio;

Exemplo prático 1: Pena dos orientais, vítimas das intempéries, seguida do medo íntimo de malograr com o mesmo fim;

A fórmula também funciona ao contrário, senão vejamos:

Exemplo prático 2: Medo de ser assaltado à porta de casa, seguido da pena do possível meliante maltrapilha que, provavelmente não ceia já tem bom tempo;

Exceções à regra: Existem. Geralmente ocorrem em casos de guerra ou em que envolvem genocidas, ditadores, e/ou ainda, quando das atividades desportivas.

Exemplo prático da exceção: Todos têm medo da guerra na Líbia, com exceção dos países do norte, porém, nem os países do sul sentem ou sentirão pena de Muammar Abu Minyar al-Gaddafi, quando este capturado for.

Os mais apressados e, não menos desatentos, poderão dizer que mesmo em se tratando da guerra, não há como escusar-se do sentimento da pena para com os civis inocentes que fenecerão perante a fúria bélica projetada no continente africano. A estes, tal reivindicação assiste razão. Porém, ao longo da história a guerra jamais fora interrompida diante destes pormenores, sob a velha justificativa de que os fins justificam os meios ou, segundo o dito que muitos se valem: não há omelete sem que alguns ovos sejam quebrados.

O presente ensaio não visa discorrer sobre a guerra ou suas atrozes conseqüências, eis que trata de mero ensaio sobre a pena e o medo e suas razões de juntos se apresentarem, motivo pelo qual este narrador desculpa-se pelo exemplo sanguinolento. Assim passemos ao exemplo de práticas desportivas.

Exemplo prático da exceção 2: Quando se desempenha uma atividade desportiva, embora a existência do medo, e aqui alguns chamarão de ansiedade, causado pelo embate ou pela necessidade da vitória, ignora-se a pena do adversário, ao qual se busca a glória.

Também haverá divergências quanto ao fato de sempre existir a pena do oponente quando este ocupa a condição de mais fraco, todavia, não podemos esquecer que no exemplo em questão, trata-se dos sentimentos do atleta para com o seu adversário, e não da torcida com relação aos competidores.

Para evitarem-se maiores discussões, retornemos à questão do ponto em que paramos, auferindo que a fórmula da exceção também funciona ao contrário:

Exemplo prático da inversão da exceção: Ninguém sentirá medo da leitura do presente ensaio, contudo, muitos poderão sentir pena deste narrador pela pouca prática na escriba, ou, pela singeleza deste divagar.

Aproveitem os devaneios.

Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 9 de março de 2011

Romance do Injustiçado (Apparício S. Rillo)

Como talhado em pau-ferro,
o carão de traços duros,
o bigodão mal cuidado
desabando sobre os lábios;
par de asas mui cansadas
de um avejão de cor negra.
Melena de muitos meses,
sobrando por sobre a gola
e o colorado de um lenço,
sangrando em riba do peito.

A bombacha de dois panos,
remangada sobre a bota.
Os cravos da espora grande
mordendo a franja do pala,
bem atirado pra trás.
No fivelão da guaiaca,
luzindo em campo de prata,
o louro das iniciais.

Sobrando da faixa negra
que lhe abarcava a cintura,
o cabo entalhado em chifre
da xerenga de dois palmos.
Um relho, trança de oito,
vinha arrastando a açoiteira
dependurado no pulso
pelo tento do fiel.

Pela rédea, o azulego,
se via que flor de flete
malgrado a estampa judiada
de pingo que muito andou.
Foi assim que há muitos anos
bateu nas casas da estância
o celebrado bandido
chamado “Estácio Arijo”.

Bandido
para a justiça,
por seu respeito se explique,
que as razões de um índio macho
nem sempre são bem aceitas
pelos códigos e leis.

Bandido
por ter sangrado,
igual de raiva e de armas
a um cujo que desonrara
a mais moça das irmãs.

Bandido,
porque apertado
entre as brigadas e a enchente,
já não podendo escapar
por debaixo da fumaça,
matou um dos quatro praças
que lo quiseram carnear.

Bandido,
porque seguido
por milicadas sequiosas
de uma vingança total,
fugiu da estrada real
para o mais fundo dos matos,
carneando chibos alheios
para o churrasco sem sal.

Bandido,
porque enleado
na rudez da ignorância,
fez da fuga e da distância
seu modo de mal viver;
porque quis a sina ingrata,
que nunca tivesse plata
para pagar um bacharel.

Bandido,
porque não teve,
a exemplo de tanta gente,
cancha livre, costas quentes,
à sombra de um coronel.

E assim viveu como bicho,
pelos fundões das fazendas,
a carregar a legenda
de perigoso e assassino,
ximbo, bagual, teatino,
com fama de touro alçado,
tragando o duro guisado
que lhe picava o destino.

N’algum bolicho de estrada
boleava a perna cestroso,
pelos domingos de tarde.
Para um cantil de cachaça,
meio quilo de bolacha
mais um punhado de sal.

Olhava de olhos compridos
para o mais das prateleiras,
pra um bom fumo amarelinho,
pros maços de palha buena,
para a erva de palmeira,
num saco sobre o balcão.
Mas vinha curto seu cobre,
mal e mal traz precisão;
o bolicheiro era pobre,
e ele não era ladrão.

E a polícia no seu rastro,
malgrado o tempo passado,
perseguido e acuado
por plainos e socavões,
sempre mudando de pouso
pra confundir os milicos,
que em manhas sim, era rico,
por evidentes razões.

Cansou-se um dia, afinal,
daquela vida de bicho,
daquele estranho cambicho
com as más volteadas da sorte,
de não ter rumo nem norte,
não ter descanso ou sossego.

E assim bateu cá na estância,
naquele entono de taita
que manda parar a gaita
por ter cansado do baile.
E ao patrão, velho Boerana,
pediu Estácio Arijo
que mandasse algum chirú
levar ao povo um recado:
que viesse o delegado,
que ele afinal resolvera:
ele, o bandido; ele, o maula,
trocar o largo dos campos
pelo encolhido das jaulas.

Nas suas noites de insônia,
entre um pelego e as estrelas,
conseguira convencer-se
que, sendo justa, a justiça
lhe entenderia as razões
e lhe daria, a lo muito,
poucos anos de condena
ou mesmo absolvição.

Foi então, que a meia tarde,
num fordecão atochado,
deu na estância o delegado
com quatro praças por quebra
para formar o sarilho:

quatro fuzis embalados,
quatro dedos no gatilho.

Então ... Estácio Arijo
tomou seu último mate,
no mesmo entono de guapo
que era seu jeito de sempre,
arrastou a espora grande
na direção dos milicos.

- Nem mais um passo!
gritou-lhe num gritinho de falsete,
o delegado, um joguete
nas mãos do chefe local.
- Levante as mãos!
- Largue as armas!
- Esteje preso, seu bandido,
seu metedor de pendenga!

E o Arijo, decidido
a entregar-se sem briga,
levou a mão à barriga
para descartar a xerenga.

- Cuidado! Berrou um praça.
Tremeram cinco covardes;
e na calma desta tarde
berraram quatro fuzis,
quatro sóis de fumo e sangue
se lhe acenderam no peito.

Foi desabando aos pouquitos
de frente para os milicos,
no jeito de um velho angico
caído junto às macegas
que lhe envejavam o entono.

E já quase adormecendo
para o derradeiro sono,
quatro vezes mal ferido,
teve ainda tino e ouvido
para escutar um dos cinco
que lhe gritava:
- Bandido!

Caiu ...
olhando pro céu,
tinto de sangue e de luz.
Dava-lhe o sol pela frente,
como a incendiar-lhe a figura,
a mais rica das molduras
para enquadrar um valente !


Aproveitem a poesia.
Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

POEMA PARA A EXORCISTA

A minha vida aparece sem condão e
monótona
aos que me vêem
no trabalho árduo da oficina
em manhãs apuradas.
A verdade é muito distinta.
Cada noite eu saio e discuto
contra um espírito malévolo
que, se valendo de
máscaras - cão, grilo,
nuvem, chuva, vagabundo,
ladrão - trata de
se infiltrar na cidade
para estragar a vida humana
semeando
a discórdia.
Apesar dos seus disfarces
sempre a descubro
e a espanto.
Nunca conseguiu enganar-me
nem vencer-me.
Graças a mim, nesta cidade
ainda é possível
a felicidade.
Mas os combates nocturnos
deixam-me exausta e ferida.
E para compensar a minha
guerra contra o inimigo,
peço uns restos
de afecto e de amizade.

Mario Vargas Llosa
Nova Iorque, novembro de 2001.
(versão de Pedro Calouste)


Aproveitem a poesia.

Guilherme de M. Trindade

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Lembranças para Mariana...


Hoje me flagrei que nossas idades nos ultrapassam.
Olhando pra trás me descobri prisioneiro do passado.
Não consigo me desapegar de nossa infância. Dos almoços de mesa cheia, das brigas e dos perdões (mais brigas do que perdões).

Não consigo me desapegar de quando tomavas conta de nós. Das torradas com orégano e das gemadas. De quando acobertava alguns pecados escolares e, de quando no auge de minha rebeldia me levaste para furar a orelha.

Parece que há poucos dias atrás viajamos escondidos. Lembro-me que ainda ontem me ensinaste o que fazer no meu primeiro dia na faculdade.

Creio que por ainda viver destas lembranças, é que o tempo me pegou desprevenido e, a saudade destas grandes pequenezas não admite a imagem da figura adulta que vemos no espelho, mesmo que o tempo não nos tenha sido um algoz implacável.

Alcançaste o esplendor da tua condição. E mesmo que não passem de tolices, continuas refém de minhas lembranças. Está intrínseco em nossa existência que provarás muitos sabores antes de mim e, caberá a nós mantermos viva a memória para que possamos viver o presente em nossos reencontros de mesa cheia.

Continues sendo essencial para nós.

Guilherme de M. Trindade