segunda-feira, 15 de março de 2010

Fazer falta....

Com certeza não sou o maior fã de Paulo Sant'Ana, colunista do jornal gaúcho Zero Hora, mas confesso que o meu hábito, e, de muitos outros leitores daquele diário, em começar sua leitura de trás para frente, vem dos textos do velho lobo das escritas.

Em que pese a discordar muitas vezes de Sant’Ana, em 31 de março do ano de 2008, obedecendo o ritual da leitura invertida, deparei-me com uma surpresa um tanto agradável em sua coluna.

O texto versava sobre a falta que nos fazem aqueles que partiram, ou ainda, a falta que nos fazem os que se ausentam por dias, horas ou poucos minutos.

Marcou-me o aforismo: “único dever que temos na vida é fazermos com que os outros sintam falta de nós”.

O quão infeliz é aquele cuja falta ninguém sente, ou ainda, cuja presença ninguém nota?

Guardei o texto em minha memória, e hoje senti vontade de lê-lo novamente. Aproveito para compartilhar com aqueles que ainda não o fizeram.


“Fazer falta

Estava me dizendo ontem no fumódromo, onde se dizem e se sentem todas as coisas, a minha amiga Grazielle Badke, que chorou no dia em que ouviu no rádio a notícia da morte de George Harrison, o guitarrista dos Beatles, tão penetrante era em sua pele e em seus aurículos a melodia e a letra da sua célebre Something.


O que minha amiga queria me dizer é que, quando ouviu aquela notícia da morte de Harrison, teve a certeza de que sentiria para sempre falta dele em sua vida.

Uma vez escrevi aqui que o único dever que temos na vida é fazermos com que os outros sintam falta de nós.

Quando corro para tomar o café da manhã com um amigo, isto quer dizer que sinto falta dele. E se corro várias vezes para tomar o café da manhã com esse amigo, então mais do que necessário, esse amigo é-me imprescindível.

Quando morrem as pessoas que nos são imprescindíveis, sentimos ainda mais falta delas.

Mas o lindo é quando temos ao nosso redor, em contato todos os dias conosco, uma pessoa que amamos - e temos nítida noção de que sentimos profunda falta dela sempre que ela se afasta de nós, por dias, quando ela viaja ou nós viajamos, por minutos, quando ela sai da sala por qualquer motivo e já nos deixa repletos de saudade.

Noção da falta que eventualmente nos causa em vida.

Isto é que é ser útil! E, mais que útil, transcendental: é incutir nos outros a nossa falta.

Se me quiserem fazer um elogio inesquecível - e se dele eu for merecedor - , quereria que me dissessem que faço falta para os que o dizem.

E se quiserem me fazer um elogio para além da minha vida, um elogio póstero de valor incalculável, escrevam na minha lápide: Aqui jaz alguém que está nos fazendo falta.

Um simples, mas colossal elogio.

Eu só peço a Deus que nunca me dê susto ou pesadelo que consista em afastamento, distanciamento ou perda de pessoas que me fazem falta. Nunca. Nunca mais, tanto já me fez sofrer por isso.

Pelo contrário, peço a Deus que sempre me dote de mais e mais pessoas a meu redor que me façam falta. Os tais imprescindíveis.

Eu sei que os imprescindíveis são raros, mas por assim o serem é que quero encontrá-los em minha bateia, os que ainda não achei - e mantê-los em meu relicário, os que já possuo.

Nunca me afaste Deus de todos os que me dão ainda força para continuar vivendo. Nunca me afaste Deus dos que me entendem, dos que me toleram, dos que me perdoam, dos que me dizem coisas incentivadoras, dos que juram com sinceridade que me querem sempre a seu lado, dos que me garantem que para mim não falta pouco e a nossa vida em comum será, como por vezes tem sido, cheia de felicidade.

Esses são os que me fazem falta e o meu sonho e a minha utopia é que eu lhes faça falta.

Enquanto houver os que me fazem falta e enquanto porventura eu fizer falta a alguém, esta é a garantia de que fiz e estou fazendo jus à vida.

E que Deus me torne cada vez mais forte e talvez inquebrantável para continuar talvez fazendo falta a alguém, tomando para isso a providência permanente e perpétua de não afastar de mim os que me fazem falta..”


(Texto Publicado na Zero hora de 31 de março de 2008 por Paulo Sant’Ana.)

Façam falta à alguém.

Guilherme de M. Trindade

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Vídeos para ouvir

Um Feliz Natal e um próspero Ano novo para todos, e que em 2010 continuemos aproveitando os sonhos!!!

Guilherme de Magalhães Trindade

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Músicas para ler...



Deu na TV (Nei Lisboa)

O presidente dos Estados Unidos
Salvou a Terra do choque de um cometa
E eliminou os terroristas malvados
Que ameaçavam dominar o planeta

O presidente não poupou esforços
Arremessando aviões e foguetes
E embora errando uns tantos alvos
Mereceu dos seus os seus aplausos

Eu vi, deu na TV, veja você
Mas é de se perguntar
Onde é que Watergate foi parar?

Eu vi, deu na TV, e quase acreditei
Ahá, hã, hã
Mas quem é que se deu mal no Vietnã?

O presidente dos Estados Unidos
Protege o mundo livre do mundo preso
E prende todo mundo que for preciso
Pra não deixar o presidente indefeso

O presidente é belo e corajoso
E religioso ao falar à nação
Sobre os boatos sem sentido
Do assassinato de um inimigo

O presidente é quase sempre honesto
E nascido na Carolina dos fundos
Onde se fuma e não se traga
E não se sabe o que é que estraga o mundo

Eu vi, deu na TV, veja você
Mas é de se perguntar
Onde é que Watergate foi parar?

Eu vi, deu na TV, e quase engoli,
Mas não, não vai dar
Que esse charuto tem um lugar mais justo pra entrar


Aproveitem a música.

Guilherme de M. Trindade

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Poemas do Sul...

Cusco Cego (Apparício Silva Rillo)

Este cusco brasino, cara branca,
pequenote e rabão,
que o parceiro está vendo enrodilhado
aí perto do fogão,
foi mordido de cobra na paleta
quando troteava atrás de uma carreta,
cruzando um macegão.

Resultou de tal manobra
que o veneno dessa cobra
cegou meu cusco rabão!

Faz um tempão
que se deu esse tropeço...
Dava pena, no começo,
ver o cusco atarantado,
pechar de frente e de lado,
chorando como um cristão.

Agora,
vagueia solotário pelo pátio,
perdido nessas noites sem aurora
que um dia lhe desceu sobre a retina.
Por isso,
quando a noite se embalsama de perfumes
e os pequenos e inquietos vagalumes
acendem lamparinas nos brejais,
eu maldigo a injustiça do destino
que não ouço o uivo triste do brasino
chorando a lua que ele não vê mais.


Aproveite a Poesia

Guilherme de M. Trindade

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Vídeos para ouvir...

Navegando pela imensidão virtual, encontrei esta preciosidade....vale conferir!!!

1.000 visitas!!! Obrigado a todos aqueles que frequentam o blog!!!

Aproveitem os momentos de trabalho.

Guilherme de M. Trindade

sábado, 10 de outubro de 2009

Mãe...

"Quando nasci, após conhecer a dor que impulsiona o choro,
Fiz ninho no calor dos teus braços.
Membros torneados por Deus em exata proporção de meu pranto.

Por almejar novos sabores, ao crescer abandonei o ninho.
E longe do teu carinho aquerenciei-me em outros braços.
Porém, a felicidade, por andar travestida, por vezes também me fez triste.

Por sorte, meu ninho se fez forte.
Resistiu ventos e temporais
Permitindo que para calar meus medos e incertezas, voltasse.

Por isso eu volto.
Porque as que marcas do tempo não desfizeram o laço
E sei que teus braços me esperam com o calor do primeiro abraço.

Mas por ser ave tenho sempre os ares por destino,
E é por saber do regresso no próximo veranico
Que se faz meu vôo mais bonito.

Por isso eu volto."

(Para minha mãe com todo amor do mundo.)

Aproveitem seus aniversários.

Guilherme de M. Trindade

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Em setembro eu me lembro...


Devido ao excesso de trabalho dos últimos dias, restaram comprometidos o posts semanais, que vinham a ser possíveis até então.

Destarte, peço desculpas àqueles que acessaram o blog em busca de uma nova leitura.

Assim, e, à pedidos, volto a postar um poema de minha autoria concebido em setembro, ano de 2006.

Em Setembro eu me lembro

Já não recordo mais do gosto dos teus lábios
Morango ou amora?
E de que me vale a demora se o tempo congela?

O amor não se vai com o vento
Do mesmo jeito que se vão as pétalas que caem no chão

Teu cheiro, não mais lembro
Mas naquela manhã de setembro
Naquele inverno, naquele momento
Ah!! Sim o teu cheiro
Mais belo que a mais linda flor
E o que me fazia feliz, hoje me traz apenas meias lembranças
Nenhuma esperança, muito menos amor

Agora eu me lembro sim
Teu cheiro, tua boca, como se fez esquecer?
A boca mais doce que o mais puro mel
Talvez produzido na mais linda manhã
Sim tua boca....eu me lembro

Teu cheiro...como fruta silvestre
Recém colhida
Louca para ser mordida
Traria um corpo à vida

Mas porque o tempo congela?
Por que me afastar de ti?
O teu gosto e o teu cheiro leva-se
Mas daquela manhã de setembro
Daquele inverno, e até mesmo por muitos invernos
A tua boca ficará na minha
E o teu cheiro no meu.

Aproveitem a poesia.

Guilherme de M. Trindade